Novo tarifaço, que nem merece o nome, é mais sanção política ao Brasil

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Cálculos do governo brasileiro estimam que apenas 18% das exportações brasileiras para o mercado americano foram afetadas pela tarifa adicional de 25%. Nas contas oficiais, com base na balança comercial com os EUA de anos anteriores, o potencial de perda, caso as vendas não encontrem outros mercados, alcança US$ 7,5 bilhões.

É claro que isso pode se traduzir em perdas para determinados setores e empresas específicos, atingindo empregos. Mas o impacto para o setor externo como um todo e para a economia no geral é baixo.

A perda estimada, se não puder ser redirecionada para outros mercados, significa redução de um quinto do que foi exportado pelo Brasil para os EUA em 2025, quando as vendas para o mercado americano caíram abaixo de 10% do total da pauta de exportação brasileira. Porém, em relação ao total das exportações brasileiras em 2026, previstas hoje em volume recorde de US$ 370 bilhões, tais perdas não passariam de 2%.

Prejuízos a americanos

Carregando um histórico déficit nas relações comerciais com os Estados Unidos, o Brasil, do ponto de vista estritamente econômico, tende a ser menos prejudicado do que importadores e consumidores americanos com as novas tarifas. Por esse motivo, o governo brasileiro está correto em trabalhar com a hipótese de que, depois das eleições, com o acúmulo de queixas e pressões de setores empresariais americanos afetados, haverá espaço mais produtivo para renegociar tarifas e ampliar isenções.

Esse é o quadro que impõe ao governo, no enfrentamento das pressões trumpistas, atitudes como as que se destacam nos comunicados do Banco Central acerca das suas decisões sobre taxas de juros básicos: “cautela, serenidade e paciência”. Bravatas e retaliações que mais podem prejudicar setores, empresas e consumidores brasileiros de produtos importados dos Estados Unidos não devem fazer parte do rol de reações brasileiras.

FONTE UOL

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