Consumo na Copa sai da arquibancada e entra no algoritmo

By
2 Min Read

Esse descompasso tem consequências. No estudo tradicional, Nike, Adidas e Coca-Cola aparecem no topo. O Brasil exporta futebol como cultura, mas marcas globais capturam parte relevante desse valor simbólico. No estudo da Ranqia, a mesma lógica reaparece na IA. A Nike domina camiseta da seleção e patrocínio, a Samsung lidera TV, smartphone e produtos em promoção, a Heineken aparece com 100% de visibilidade na pergunta sobre cerveja, a Vivo lidera operadora e o Casimiro lidera influenciadores.

Mas o pertencimento da marca no evento vem de repetição, presença histórica, distribuição, utilidade, associação cultural e, agora, documentação digital. A marca pode estar no cotidiano do torcedor e ser invisível para a IA. Também pode ser forte para a IA e não ser a escolha real no carrinho.

Segundo a Ranqia, só 22,5% das fontes que a IA pesquisa terminam citadas na resposta final. O modelo lê muito e mostra pouco. Para uma marca, essa é a nova forma de escassez. Estar na internet virou o mínimo, e a disputa é sobreviver ao filtro da resposta.

No Google, a marca podia disputar a primeira página. No ChatGPT, muitas vezes disputa uma frase. E a ordem importa. O próprio paper da Ranqia diferencia visibilidade, ordem de menção, profundidade no texto, justificativa e fontes que influenciam a resposta. Ser citado em sexto lugar, no fim de uma lista, não vale o mesmo que abrir a recomendação.

Na pesquisa tradicional, 67% dizem prestar mais atenção às marcas durante o torneio, e 72% afirmam perceber quando uma marca tenta se aproveitar da Copa.

Na IA, esse filtro opera de outra forma. Para entrar na conversa, é preciso ser útil, específico ou local. A Ranqia mostra que o ChatGPT pede mais contexto quando a resposta depende de cidade, região ou orçamento.

FONTE UOL

Share This Article