Também em junho, no acumulado em 12 meses, de acordo com a maioria das estimativas, a alta de preços permanecerá acima do teto do intervalo de tolerância, terreno em que deverá se manter até o fim de 2026. De 4,72% em maio, subirá para 4,8% em junho, e, mesmo com novos e até fortes recuos na inflação mensal em julho e agosto, seguirá em alta e acima do teto, fechando o ano acima de 5% e abaixo de 5,5%.
É bastante provável, portanto, que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tenha de publicar em outubro aberta aberta reconhecendo que a inflação se encontra acima do teto do intervalo de tolerância há seis meses, indicando também o que fará para fazer a inflação convergir para o centro da meta de 3%.
Alimentos e habitação — esta concentrada em energia elétrica — foram os grupos que mais pressionaram o IPCA-15 in junho, respondendo por dois terços de toda a alta. Ambos, porém, estão em fase de arrefecimento, o que já poderá ser observado na inflação cheia de junho.
Conforme as projeções de Romão, preços de alimentos, que subiram 0,74% no IPCA-15 de junho, devem recuar para alta de 0,3% no IPCA cheio de junho. Alimentos no domicílio devem ter recuo ainda mais acentuado, saindo de alta de quase 0,9% para 0,3%.
Outros grupos de preços também devem recuar entre o IPCA-15 e o IPCA cheio de junho. São os casos da própria Habitação, de Vestuário, Saúde/Cuidados Pessoais e Comunicação.
Alimentos caem, mas voltam a subir
Há previsões de que os preços dos alimentos no domicílio registrarão deflações em julho e agosto. Ainda assim, as perspectivas para a marcha dos preços neste sensível subgrupo do IPCA não são das mais animadoras.
Com o esperado reforço desfavorável do fenômeno El Niño, previsto para o segundo semestre, condições climáticas adversas tendem a reduzir a oferta de produtos e pressionar a inflação de alimentos no domicílio, que, no acumulado em 12 meses, escalará de menos de 4% em junho para mais de 7% no fechamento do ano.


