Financiamentos são impulsionados por ação da Igreja Universal. Segundo reportagem dos colunistas Mariana Barbosa x Júlio Wiziack, do UOL, publicada em abril, os financiamentos do Digimais são realizados a partir da venda de carros doados por fiéis durante a campanha anual “Fogueira Santa“. Na ocasião, eles entregam algum tipo de bem como “sacrifício”. A prática já foi relatada pela modelo Andressa Urach, que move um processo contra a Iurd.
Reposicionamento suspendeu novos financiamentos automotivos. O balanço financeiro com os resultados do ano passado destaca a mudança “estratégica” de atuação da instituição. “O banco consolida o reposicionamento estratégico da sua atuação, direcionado principalmente à concessão de crédito consignado e com a suspensão na originação de financiamento de veículos”, destaca o relatório. O banco garante que a alteração não interfere nos financiamentos automotivos.
Novo plano estratégico do Digimais foi aprovado pelo BC em 2024. O cronograma estratégico apresentado pelo conselho de administração da instituição de Edir Macedo revisou a operação do banco e trouxe objetivos a serem alcançados até 2029. O objetivo da ação foi estabelecer novos parâmetros para reduzir a inadimplência e oferecer uma nova cesta de produtos e serviços nos segmentos de atacado e varejo.
Instituição afirma ter mais de 145 mil clientes e 150 colaboradores. Os números estão presentes no site do Digimais, presente nos principais estados do Brasil, com maior concentração nas regiões Sul e Sudeste. As emissões de CDB (Certificado de Depósitos Bancários) e LFS (Letras Financeiras Subordinadas) aparecem como a principal fonte de captação de recursos da instituição.
Digimais amargou prejuízo de R$ 108,7 milhões no primeiro trimestre. O resultado negativo surge após o lucro líquido de R$ 31,3 milhões reportado em 2025. No entanto, o resultado de todo o segundo semestre do ano passado representou um prejuízo de R$ 10,8 bilhões. Apesar do movimento, a instituição relatou no balanço que os resultados eram “consistentes e alinhados à nova diretriz estratégica” do banco.
Edir Macedo tentou vender o Banco Digimais por mais de um ano. As ofensivas resultaram em um acordo com o BTG Pactual. A formalização da venda, no entanto, ainda depende do aval do Fundo Garantidor de Crédito e de autorizações do Banco Central. A colunista Mariana Barbosa, do UOL, explica que caberá ao líder da Igreja Universal cobrir o rombo do banco com recursos próprios, se a negociação não avançar.


