“A perda de visibilidade ocorre em meio à reformulação do modelo de negócios do banco, à deterioração de seus resultados e a uma disputa judicial envolvendo um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC)”, diz trecho do documento.
Há ainda um processo de venda em andamento. Em 8 de abril, um grande banco comunicou a assinatura de documentos vinculantes para adquirir o controle acionário do Digimais, disse a Fitch sem identificá-lo. A conclusão depende de um processo competitivo, da declaração de uma proposta vencedora e das aprovações do Banco Central e do Cade. A Fitch afirmou não ter detalhes da transação.
O rating nacional de longo prazo do Digimais caiu de BB+(bra) para CCC(bra). Na escala de uma agência de risco, quanto mais alta a nota, menor a percepção de risco de crédito.
Quanto mais baixa, maior a dúvida sobre a capacidade de pagamento. O “bra” indica que se trata de uma escala nacional: ela compara o risco do emissor dentro do Brasil, não necessariamente com empresas ou bancos do mundo inteiro.
Na prática, um rating funciona como uma espécie de termômetro da confiança para credores, investidores e contrapartes. Ele não é uma recomendação de compra ou venda. Também não é uma garantia de que uma empresa vai pagar ou deixar de pagar. É uma opinião técnica sobre risco de crédito: a probabilidade de uma instituição conseguir cumprir suas obrigações financeiras.
A nova nota do Digimais, CCC(bra), já sinaliza uma situação de fragilidade elevada. Segundo a Fitch, a margem de segurança do banco é “muito baixa” e uma falha da instituição financeira ou default (no jargão da indústria financeira, default significa calote) passou a ser uma “possibilidade real”. A agência citou incertezas relevantes sobre o perfil financeiro do banco, falta de informações atuais e pouca visibilidade sobre a estratégia da instituição.


