Greenspan previu que chance de o Brasil quebrar era de 50/50 nos anos 1990

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Alan Greenspan, o influente economista que conduziu a política monetária dos Estados Unidos, estimava em 50/50 chance do plano Real colapsar nos anos 1990 Imagem: REUTERS Yuri Gripas

Em novembro de 1998, o Brasil estava no meio de uma grave crise cambial. O país mantinha o real preso a uma faixa de valorização frente ao dólar (a chamada âncora cambial do Plano Real), mas vinha perdendo reservas rapidamente porque investidores estavam tirando dinheiro do país, com medo de contágio das crises da Ásia e da Rússia. Para segurar esse dinheiro, o Brasil tinha elevado os juros a níveis altíssimos, de 30% a 40% ao ano. Em paralelo, foi montado um pacote de socorro internacional liderado pelo FMI.

Na reunião do Fomc de 17 de novembro de 1998, Greenspan, então presidente do banco central americano (o Fed), basicamente disse aos outros integrantes do colegiado que a conta não fechava.

O raciocínio dele, em linguagem simples, era o seguinte. Primeiro, ele não confiava muito que os bancos americanos fossem segurar o Brasil. Eles tinham dito que ajudariam, mas Greenspan percebeu que era um jogo de “só entro se todo mundo entrar”. Ou seja, bastava um roer a corda e sair para todos correrem para a porta ao mesmo tempo. É a lógica do pânico financeiro segundo a qual ninguém quer ser o último a sacar.

“Os riscos na situação do Brasil são significativos. A reunião que ocorreu ontem em Nova York pareceu sugerir que os bancos americanos iriam ajudar a estabilizar o financiamento do Brasil. Tendo conversado com vários deles recentemente, tenho a impressão de que cada um participará apenas se todos os outros participarem. Ao primeiro sinal de que esse não será o caso, eles recuarão”, disse Greenspan ao colegiado.

Segundo, ele apontou uma contradição estrutural da economia brasileira. Um país que precisa pagar juros de 30% a 40% para convencer as pessoas a não fugirem com seu dinheiro, e que ainda assim está perdendo reservas, está pagando um preço insustentável só para manter a moeda no lugar. Para Greenspan, isso era sinal de que “algo não estava certo” por mais que o lado fiscal do programa parecesse bom no papel, a matemática não se sustentava.

Em outras palavras, ele suspeitava que o Brasil não conseguiria segurar o câmbio para sempre, e que uma desvalorização do real era provável.

FONTE UOL

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