O movimento de ontem reflete uma combinação de fatores. O IPCA veio acima do esperado e a ata do Copom manteve um tom cauteloso, reduzindo as apostas em uma sequência mais rápida de cortes da Selic e pressionando a curva de juros. A revisão da recomendação para o Brasil pelo JPMorgan, a saída de capital estrangeiro e o recuo de ações de grande peso, como bancos, Petrobras e Vale, também contribuíram para a queda do índice. Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas
Ibovespa também caiu. Após abrir em baixa, o principal índice de ações da bolsa brasileira, a B3, rondou a estabilidade por todo o dia. Ao fim da sessão, o Ibovespa recuou 0,23%, para 167.491 pontos.
Indicador caiu 2,5% ontem. O Ibovespa fechou em 167.874 pontos, menor patamar desde 19 de junho (168.333). Segundo analistas, a saída líquida de recursos de investidores estrangeiros, em meio à expectativa de aumento de juros nos EUA e a incertezas sobre a política econômica no Brasil após as eleições, reduz o apetite dos aplicadores pelo mercado de renda variável brasileiro.
Um vetor que pressionou a bolsa ontem foi o relatório do JPMorgan, rebaixando a recomendação de investimento no Ibovespa de overweight para neutro, apontando uma maior percepção de risco Brasil, com possível estagnação de corte de juros após setembro de 2026 e efeitos das eleições em outubro deste ano. Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital
Economia americana entrou no radar dos aplicadores. Inflação voltou a subir nos Estados Unidos, apesar da queda na gasolina. Após a deflação registrada em junho (-0,4%), o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu para 0,1% em julho, segundo dados do Departamento de Estatísticas Trabalhistas. Nos últimos 12 meses, a variação acumulada é de 3,4%, acima da meta definida pelo Fed (Federal Reserve), banco central dos Estados Unidos.
O resultado reforça o quadro de desinflação gradual, mas ainda distante da meta de 2%. A queda do índice cheio partiu principalmente da energia, enquanto boa parte dos itens do núcleo, sobretudo em serviços, ainda subiu no mês. Isso é consistente com uma leitura de mercado que projeta alta de juros não em setembro, mas para outubro. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad


