Análise: Tarifaço será tema de campanha e deixa relação EUA-Brasil incerta

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Ilustração mostra bandeira dos EUA com palavra "tarifas"  • (10.abr.2025 - Dado Ruvic/Illustration/Reuters)

O novo tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil tem diversas repercussões, sendo que a mais antecipável é a eleitoral.

O presidente Lula (PT) tende a sair ganhando com essa decisão americana, na medida em que o eleitorado tende a associar as tarifas com ações da família Bolsonaro.

Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, enquanto 51% concordam que a família Bolsonaro está culpada e responsabilizada pelas taxas, somente 30% avaliam que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), está tentando reverter a situação.

O tema, certamente, vai ser explorado ao longo da campanha. Portanto, a retórica de Lula contra os EUA será usada eleitoralmente na disputa.

A pergunta mais difícil de responder, no entanto, é para onde vai a relação entre Brasília e Washington. No curto prazo, o Palácio do Planalto vai iniciar uma investigação de reciprocidade, levando a uma ameaça de retaliação contra os Estados Unidos. Mas nenhuma decisão deve chegar antes das eleições.

Passado o pleito, se Lula vencer, haverá um momento de acomodação com o presidente americano, Donald Trump.

Mas a má notícia é que o caminho para um acordo que possa reduzir as tarifas pode ser difícil, mesmo em um cenário pós-eleitoral. Não só porque as tarifas foram aplicadas somente para 25% das exportações brasileiras – com uma repercussão econômica mais restrita – mas também porque as exportações brasileiras direcionadas aos EUA estão caindo. Até o ano passado, 12% das vendas do Brasil iam para território americano – agora o número já caiu para 9%.

Isso significa que as empresas brasileiras devem procurar outros destinos e, a partir disso, a pressão do setor privado para reverter a taxação em 2027 talvez não seja muito grande. Ao mesmo tempo, o Planalto não dá sinais de fazer grandes concessões à Casa Branca nas negociações comerciais.

Certamente haverá um momento pós-eleitoral de tentar chegar a um acordo, mas o caminho será bem difícil.

* Christopher Garman é mestre em ciências políticas, pesquisador e diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.

Fonte CNN BRASIL

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