Macaco com som similar ao de sapo é descoberto no Congo – 17/07/2026 – Ciência

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Dois macados da espécie Colobus congoensis, no Congo - Daniel Rosengren, Frankfurt Zoological Society/via Reuters

Fotos desfocadas são frequentemente apresentadas como supostas evidências de criaturas misteriosas. Mas um ser que apareceu em uma imagem borrada feita há quase duas décadas no Congo acabou se revelando autêntico. Ele foi oficialmente reconhecido como uma nova espécie, a quinta de um macaco africano descrita nos últimos 75 anos.

Em 2008, uma equipe da Fundação de Pesquisa de Vida Selvagem Lukuru avistou um macaco incomum no alto das copas das árvores de uma área que hoje faz parte do Parque Nacional de Lomami. Porém, a fotografia que conseguiram tirar ficou desfocada.

“Como não era uma imagem nítida, ninguém deu atenção”, disse Junior D. Amboko, doutorando da Universidade Atlântica da Flórida (Estados Unidos) e autor de um artigo publicado na última quinta (15), na revista PLOS One, que descreve a nova espécie.

Uma década depois, o macaco misterioso ficou mais nítido. Outra equipe de campo fotografou um ser de tamanho médio com pelos pretos desgrenhados e uma mancha alaranjada ao redor do nariz e da boca. Eles compartilharam as fotos com Amboko e John Hart, diretor-científico da Fundação de Pesquisa de Vida Selvagem Lukuru. Ficou claro que ele não se parecia com nenhuma espécie conhecida na região.

Os pesquisadores estabeleceram um projeto, financiado em parte pela National Geographic Society, para encontrar o primata. De 2018 a 2022, eles percorreram o Parque Nacional de Lomami e seus arredores, vasculhando as copas das árvores, gravando chamados de macacos ao amanhecer e entrevistando moradores de 52 aldeias. Pessoas de oito dessas aldeias reconheceram o animal. Os da etnia Balanga o chamavam de likweli.

A presença do espécime, segundo os pesquisadores, restringe-se a uma pequena área no nordeste do país. A área de distribuição limitada ajuda a explicar por que são tão pouco conhecidos mesmo pelos moradores locais, segundo Amboko. “Eles também são um pouco tímidos”, acrescentou.

Ainda não se sabe quantos deles podem existir por aí. Observações de campo revelaram que o animal possui polegares minúsculos, o que indica que pertence a um grupo de macacos sociais e comedores de folhas. Comunica-se com um chamado que lembra o coaxar de um sapo.

Para confirmar que o likweli era uma nova espécie, era necessária uma avaliação em laboratório. Guardas florestais do Parque Nacional de Lomami confiscaram três espécimes, duas fêmeas e um macho, encontrados com caçadores. Os pesquisadores utilizaram esses animais para uma catalogação detalhada da aparência física, estrutura esquelética e DNA.

Kate Detwiler, professora associada de biologia na Universidade Atlântica da Flórida e uma das autoras do estudo, liderou a análise genética. Ela e seus colegas determinaram que o likweli se separou de seu parente mais próximo 4 milhões a 5 milhões de anos atrás e vem evoluindo de forma independente desde então. “Ficamos muito surpresos com a profundidade dessa divergência”, afirmou ela.

A combinação de diferenças físicas e genéticas entre o likweli e seus parentes mais próximos levou os pesquisadores a descrevê-lo como uma nova espécie: Colobus congoensis.

O likweli se junta a uma lista muito curta de espécies de macacos africanos descritas desde 1951, incluindo o mangabei das terras altas, que se comunica com um “latido buzinado”; o macaco-de-cauda-dourada, batizado por causa de sua cauda com pontas douradas; e o lesula, cujos machos têm nádegas e testículos de um azul vibrante.

“Isso é muito importante”, disse Joshua Linder, cofundador e presidente do Forest Collective, uma organização sem fins lucrativos de conservação que não participou do estudo. “Encontrar um primata de porte relativamente grande que nunca tínhamos visto antes é incrível.”

Os autores do novo estudo recomendaram que o macaco seja classificado como ameaçado de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Eles argumentam que a espécie é alvo de caçadores e que seu habitat corre o risco de ser destruído.

Para Detwiler, a descoberta exemplifica a necessidade de conservar a floresta tropical do Congo e estudar a vida selvagem que habita a região. “É uma mensagem bastante reveladora de que essa área da bacia do Congo é diversa e precisa de atenção.”

FONTE UOL

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