“Obviamente, todos nós gostaríamos de trabalhar menos se pudéssemos, mas cada um tem de ter o direito de definir sua realidade e aonde quer chegar”, afirma. “Se a empresa e o trabalhador puderem construir sua forma de se relacionar no trabalho, as possibilidades se tornam mais amplas e cada um vai ter o direito de fazer suas escolhas.”
Em relação ao novo tarifaço de 25% que o governo Trump pode impor sobre os produtos brasileiros e à proposta de Flávio de que a medida seja implementada apenas após as eleições, se não puder ser cancelada de vez, ela fala que essas negociações deveriam ser tocadas pela atual gestão. “Quem deveria estar fazendo essa defesa (contra o tarifaço) é o governo Lula. O que existe (da parte do Flávio) é a construção de uma ponte de diálogo, para cobrir uma deficiência e uma negligência desse governo, de não fazer o que deveria.”
No capítulo das soluções, Daniella demonstrou também nas entrevistas ter propostas efetivas para recolocar o país nos trilhos. É possível discordar de um detalhe ou outro, de uma medida ou outra em estudo, mas não dá para negar que os planos anunciados até agora fazem sentido, a não ser por motivação ideológica ou para “marcar posição”, que é uma atitude típica do PT desde o seu surgimento, em 1980.
De acordo com Daniella, que é formada em administração de empresas pela PUC do Rio e tem um MBA em finanças pelo Ibmec, há espaço para implementar “uma agenda econômica saudável”, que favoreça a retomada do crescimento sustentável.
Primeiro, a ideia é “arrumar a casa”, com a adoção de um “choque de gestão” na administração, que deverá incluir a realização de reformas do Estado, a redução e a reorganização de ministérios e a reestruturação das estatais. Depois, deverão vir as reformas microeconômicas, para aumentar a produtividade e a competitividade, estimular o investimento, com a desoneração dos aportes estrangeiros, e a segurança jurídica.
“Hoje, no Brasil, quando o investidor estrangeiro quer entrar para financiar dívida privada, paga 15% de imposto sobre ganho de capital. Isso come todo o prêmio de risco”, diz. “Então a gente está defendendo isonomia tributária para essa classe de ativo. Isso serviria tanto para reduzir o custo de capital das empresas quanto para financiar a securitização de ativos da União. Temos de abrir a fronteira e fortalecer a atração dos investimentos através das reformas, para gerar emprego e renda.”


