Com ajuda da renda fixa, fundos captam R$ 184,7 bilhões no 1º trimestre

By
3 Min Read
Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) detalhe desempenho dos fundos de investimentos no 1º trimestre em termos de captação Imagem: Dilok Klaisataporn/iStock

Taxa básica de juros alta ajuda renda fixa. Com a Selic em 14,25% ao ano, o rendimento dos fundos de investimentos que acompanham essa taxa têm sustentado um retorno superior ao da renda variável, aponta o diretor da Anbima, Pedro Rudge, em apresentação a jornalistas. O DI (Depósito Interbancário) entregou no primeiro semestre um ganho bruto de 6,8%, enquanto os multimercados deram retornos entre 2,1% (multimercados estratégias específicas) e 5,1% (multimercados livre).

Nesse cenário de de juros altos, de certa incerteza global, com guerra e eleições, renda fixa vai continuar sendo carro chefe das captações. Devemos seguir vendo nos próximos meses a renda fixa como grande motor de captação. O investidor se pergunta por que vai correr risco se ele consegue ter retorno de 14% ao ano sem risco. Enquanto esse pano não for alterado, o apetite a risco do investidor vai se manter nesse nível. Pedro Rudge, diretor da Anbima

Dentro da renda fixa, classe do crédito privado tem desempenho mais fraco. A captação líquida desses fundos somou R$ 14,4 bi entre janeiro e maio último, ante resgates de R$ 12,6 bilhões no mesmo período de 2025. Ainda assim, o segmento teve captação inferior ao de fundos renda fixa de duração baixa crédito livre e soberana, que aplicam em títulos públicos.

Em termos de retorno, crédito privado também ficou atrás do DI, referência da renda fixa de curto prazo. Entre janeiro e maio, essa categoria entregou cerca de 3,1% de retorno, ante uma média de 6% registrada pelos fundos renda fixa simples.

Entre os segmentos, a classe que tem mais crédito privado tem sofrido um pouco mais, até como reflexo dos juros altos, já que esses fundos dão credito para empresas. Como as empresas têm mais dificuldade para pagar dívida ou se financiar a juros altos por mais tempo, vemos mais casos de empresas dando default e precisando renegociar, o que impacta esses fundos. Nesse cenário de incerteza, é esperado que o investidor busque opções mais conservadoras. Pedro Rudge, diretor da Anbima

Outras categorias tiveram captação positiva. Os Fidcs (Fundos de Investimentos em Direitos de Crédito) tiveram saldo líquido de R$ 30,6 bilhões, menos da metade em igual período de 2025. Já os FIPs (Fundos de Investimentos em Participações) apuraram saldo líquido de R$ 32,1 bilhões no primeiro semestre deste ano, ante R$ 35,4 bilhões um ano antes.

FONTE UOL

Share This Article