Pouco depois, no entanto, os preços no mercado mundial despencaram. Moussa Koné, presidente de um sindicato de produtores de cacau na Costa do Marfim, acusa o órgão regulador de erros de cálculo estratégicos: “Eles não conseguiram vender cacau suficiente com antecedência. Hoje, mais de 700 mil toneladas de cacau estão estocadas nas mãos de agricultores que não sabem o que fazer com elas.”
O governo, por sua vez, afirma que esse volume é de cerca de 123 mil toneladas. Ao mesmo tempo, anunciou sua intenção de comprar todos os estoques de cacau atualmente acumulados nas cooperativas. Yves Brahma Koné, diretor-geral do CCC, considera que a responsabilidade recai sobre os exportadores, mas se diz confiante. “Toda a produção da Costa do Marfim será comprada”, assegurou.
Oportunidades para o processamento de cacau na África?
A crise evidencia um problema estrutural. Os países africanos exportam principalmente cacau bruto, enquanto o valor agregado é criado no exterior. “As margens de lucro dos fabricantes de chocolate são significativamente maiores do que as dos comerciantes”, afirma o economista agrícola Voituriez. Segundo ele, os comerciantes obtêm apenas “cerca de um por cento”.
Ao mesmo tempo, a queda nos preços pode abrir novas oportunidades, segundo a Ecofin Agency, uma agência de notícias suíça especializada em questões econômicas africanas. Preços mais baixos do cacau tornam o processamento local mais atrativo, podendo gerar de duas a três vezes mais valor por tonelada e mantendo assim a renda e os empregos nos países de origem.
Contudo, Friedel Hütz-Adams, do Instituto Südwind para Economia e Ecumenismo – que realiza pesquisas orientadas para a ação sobre questões econômicas globais -, enxerga vários obstáculos estruturais.


