Isso acontece porque, como mostra o Digital News Report 2026, do Reuters Institute, a rede social e o vídeo passaram a ser a porta de entrada mais usada para notícia no mundo, com 54%, à frente dos sites e aplicativos dos próprios veículos, com 51%, e da televisão, com 52%. É a primeira vez na série de 15 anos do relatório que isso acontece. Para 30% das pessoas, rede social e vídeo já são a principal fonte de notícia, contra 22% cinco anos atrás.
Entre os jovens de 18 a 24 anos, 52% dizem que rede social, vídeo e IA são sua principal forma de se informar, 32 pontos à frente da segunda fonte mais citada. E 27% das pessoas tiveram contato, na semana anterior, com notícia feita ou apresentada por criadores. O público saiu da mídia e foi atrás de quem fala mais perto dele.
O mesmo relatório mostra que o público engajado encolhe. A fatia de leitores muito interessados em notícia caiu de 29% para 22% desde 2021, enquanto os que consomem de forma casual subiram de 16% para 25%.
“Criadores e redações têm capacidades diferentes. Os criadores se destacam pela linguagem, pela clareza e pela relação direta com comunidades. O jornalismo tem vantagem em confiança, imparcialidade, apuração e edição. A colaboração pode reunir essas competências sem obrigar um lado a imitar o outro”, explica a estrategista sênior de mídia Maíra Carvalho.
O dado do Reuters confirma o desenho, com os criadores na frente em clareza e entretenimento e atrás em confiança e imparcialidade. A confiança é o terreno mais sensível do ano, com o índice global de confiança na notícia em 37%, o menor da série em 15 anos.
Para o Brasil, o quadro é mais agudo, porque o país já consome notícia dentro da plataforma. O capítulo brasileiro do estudo da Reuters mostra a rede social nove pontos à frente da TV como fonte de notícia, um terço da população se informando com criadores e 13% usando chatbots de IA para isso.


