Entre essas medidas, 66% marcam encontros em lugares públicos, 59% avisam amigos ou familiares, 49% compartilham a localização, 43% pesquisam a pessoa em outras redes sociais, 17% fazem videochamadas e 16% pedem que amigos ou familiares acompanhem. Entre as mulheres, os cuidados são ainda mais frequentes. Do total de entrevistadas, 70% priorizam locais públicos e 66% avisam amigos ou familiares antes do encontro.
Hoje, boa parte da segurança percebida está terceirizada para fora da plataforma. O bar, o shopping, a família, os amigos, o WhatsApp, o Instagram e a localização em tempo real entram como camadas de proteção.
O aplicativo aproxima duas pessoas, mas a confiança necessária para transformar conversa em encontro ainda depende de estruturas externas. O objetivo é diminuir a distância entre “conheci alguém” e “me sinto seguro o bastante para encontrar”.
A pesquisa também mostra que 15% dos brasileiros que já usaram aplicativos de relacionamento afirmam ter sido vítimas de golpes nessas plataformas. Aplicado ao universo de 94 milhões de usuários estimados, o dado aponta para milhões de pessoas impactadas por algum tipo de fraude ou abuso.
A ida a encontros presenciais aparece mais entre homens, com 41%, do que entre mulheres, com 28%. Também é maior nas classes A e B, com 47%, do que nas classes C, D e E, com 27%. Entre gerações, os millennials e a geração X aparecem empatados em 36%, enquanto a geração Z registra 29%.
Isso sugere que o uso de aplicativos não elimina desigualdades da vida offline. Encontrar alguém envolve tempo, deslocamento, dinheiro, repertório de lugares, sensação de segurança e disposição para exposição. O app reduz a barreira inicial do contato, mas não remove as condições materiais e sociais que influenciam a decisão de sair de casa para encontrar uma pessoa desconhecida.


