A proposta americana prevê a imposição de uma tarifa de 12,5% sobre os produtos brasileiros. O Brasil considera a medida sem base legal ou factual e afirma que taxas unilaterais prejudicam a cooperação entre os países. Não está claro se essa sobretaxa seria somada a outra tarifa de 25% discutida em investigação separada.
O Itamaraty argumentou que os EUA não apresentaram provas concretas na investigação. Segundo o documento, não há evidências de que produtos com trabalho forçado no Brasil tenham entrado no mercado americano ou prejudicado seus produtores.
O relatório dos EUA foi criticado por ser vago e incompleto. O governo brasileiro afirmou que o USTR ignorou as medidas nacionais e baseou suas conclusões em exemplos de terceiros países que não têm relação com o Brasil.
Tarifas e eleições no Brasil
A possibilidade de imposição de novas tarifas ao Brasil também vem sendo explorada em meio ao cenário eleitoral. Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro foi aos EUA pedir o cancelamento da medida e aproveitou o momento para criticar Lula.
Impor uma tarifa agora, que depois seria difícil de reverter, acabaria recompensando justamente os responsáveis pelas ações em questão. Peço respeitosamente a este país: não imponham tarifas ao Brasil. Preservem o sucesso desta relação, cancelem essa medida e deixem que negociemos. Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL
O governo Lula rebateu as declarações de Flávio e disse que a participação dele na audiência tinha “claro objetivo eleitoreiro”. De acordo com o governo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço, sendo 44 norte-americanos e 34 brasileiros.
Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país. Governo brasileiro, em nota
Relação comercial e próximos passos
O governo brasileiro ressaltou a parceria estratégica de mais de dois séculos com os EUA. O documento lembra que os americanos mantêm um superávit comercial (quando um país vende mais do que compra) constante com o Brasil e que os investimentos bilaterais geram empregos em ambas as nações.


