Entrega de armas pelo Hamas seria “assinatura de derrota” frente a Israel

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O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) que dissolverá seu governo na Faixa de Gaza, transferindo o controle civil para um comitê tecnocrata palestino.

O movimento é visto como uma tentativa de fazer avançar o processo de paz no território, que se encontra praticamente estagnado desde o início do cessar-fogo.

Para André Lajst, cientista político e presidente da Stand With Us Brasil, o anúncio representa apenas uma concessão simbólica. “O que aconteceu na prática foi que o responsável pela comissão de emergência do governo, que é o mecanismo interno que o Hamas tem na Faixa de Gaza de controle da população civil desde 2007, se demitiu”, explicou.

Segundo ele, isso abre espaço para que o comitê formado após o acordo de cessar-fogo possa assumir o controle civil, abrangendo questões como entradas humanitárias e reconstrução.

No entanto, André Lajst ressaltou que entregar o controle civil não significa abrir mão das armas. “O Hamas, abrindo mão do controle das armas, está assinando a derrota para Israel nesta guerra que já durou quase dois anos e meio, três anos”, afirmou.

Para ele, é muito difícil que o grupo mude radicalmente sua ideologia e aceite condições que significariam o fim do seu controle sobre a região.

Armas como instrumento de poder

André Lajst traçou um paralelo com o Hezbollah no Líbano para explicar a lógica por trás da recusa em desarmar. Segundo ele, antes do dia 7 de outubro de 2023, Israel não estava na Faixa de Gaza, e ainda assim o Hamas já possuía armamentos.

“Entendo, como cientista político, que é uma desculpa para poder manter as armas”, declarou. Da mesma forma, o Hezbollah utilizou a presença israelense no sul do Líbano como justificativa por 18 anos, e quando Israel se retirou da região em 2000, o grupo simplesmente alegou outra ocupação para continuar armado.

“Esses grupos precisam de armas para se manter no poder. Se eles abdicam das armas, perdem controle, poder, influência e, basicamente, a sua causa”, afirmou André Lajst.

Segundo ele, enquanto o Hamas continua recrutando jovens e armando pessoas, israelenses e americanos encaram com ceticismo e desconfiança qualquer movimento do grupo, especialmente quando, em paralelo, ele se prepara para um futuro confronto.

Obstáculos para uma solução duradoura

Para que o cessar-fogo evolua para uma paz duradoura, André Lajst avaliou que seria necessário um processo diplomático no qual palestinos e israelenses negociem com base em trocas territoriais e no reconhecimento mútuo de legitimidade estatal.

“O Hamas, especificamente, não aceita a existência de Israel de forma conceitual. Então, o Hamas não tem como fazer parte dessa equação”, disse.

Nesse cenário, as armas do grupo precisariam ser incorporadas a uma força policial ou exército sob o controle do comitê tecnocrata, voltado apenas para o exercício do Estado de Direito no enclave palestino.

Enquanto isso não ocorrer, o analista considera remota a possibilidade de avanços reais nas negociações de paz.

Fonte CNN BRASIL

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