Teresa reabre diálogo com Alcolumbre ante desgaste de Senado e Planalto

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A líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), e o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP)  • Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal

A primeira semana da senadora Teresa Leitão (PT-PE) como líder do governo no Senado terminou com a reabertura do diálogo com o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Os dois tiveram duas reuniões nos últimos dias.

A parlamentar assumiu o cargo em meio ao desgaste entre o comando do Senado e o Palácio do Planalto. A relação de Alcolumbre com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está tensionada desde a derrota da indicação de Jorge Messias para uma vaga ao STF (Supremo Tribunal Federal), ocorrida no fim de abril.

Para aliados e integrantes do governo, conforme apurou a CNN, a escolha por Teresa revigorou a relação entre os dois Poderes. Por ter abertura com Alcolumbre, há expectativa de uma reaproximação entre Lula e o presidente do Senado – tema visto por parlamentares petistas como uma das “missões” da senadora no cargo.

À CNN, Teresa declarou que irá tratar a relação entre os dois presidentes de forma “institucional” e que considera a realização de uma reunião como uma “decisão pessoal” de Lula e do senador.

Para minimizar o atrito, a nova líder declarou não ter ocorrido uma “ruptura” entre Planalto e Senado, já que ministros e parlamentares ainda mantêm diálogo. Em outra frente, no entanto, a própria relação da liderança na Casa, então exercida por Jaques Wagner (PT-BA), com Alcolumbre já era vista como desgastada.

Teresa foi indicada para substituir Jaques, que foi alvo de operação da Polícia Federal sobre o caso do Banco Master. Até então, a parlamentar era líder do PT no Senado. Indicada após conversa por telefone com Lula, a parlamentar teve a primeira reunião com o chefe do Executivo na segunda-feira (29). No dia seguinte, foi recebida por Alcolumbre.

Durante sessão no plenário na terça-feira (30), ela ouviu de Alcolumbre elogios sobre sua capacidade de articulação e que terá na liderança uma “missão muito importante” na interlocução entre os poderes.

Na quarta-feira (1°), Alcolumbre esteve reunido mais uma vez com Teresa e também com centrais sindicais e o senador Paulo Paim (PT-RS) para debater o fim da escala 6×1. A proposta é prioritária para o governo, mas ainda não recebeu sinalização de Alcolumbre sobre um calendário de votação.

Destravar a redução da jornada de trabalho é outra “missão” da nova líder do governo, nas palavras do próprio presidente Lula. O texto, no entanto, enfrenta resistência de setores econômicos e está travado no Senado desde o fim de maio.

Teresa Leitão rejeita a ideia de que a proposta esteja parada. Para ela, a matéria tem seguido um “roteiro de debates” e negociações para depois ser debatido o trâmite da sua análise. Como a CNN mostrou, a tendência é que a pauta avance depois do recesso parlamentar, a partir de agosto.

Inicialmente, a intenção da base governista era garantir a aprovação no Senado antes do recesso, que começa em 18 de julho. Agora, com o calendário apertado, no entanto, senadores petistas já admitem que o texto só deve caminhar a partir de agosto.

Em sua primeira semana, além de uma série de reuniões no Planalto e com Alcolumbre, Teresa Leitão também teve encontro com a bancada petista para debater a escolha do novo líder do grupo. O senador Camilo Santana (PT-CE) deve assumir a função e será anunciado oficialmente na próxima terça-feira (7).

Outra tarefa que Teresa terá que lidar na liderança envolve os projetos considerados “pautas-bomba” pelo governo, ou seja, com alto impacto fiscal. É o caso da PEC da aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, que tem impacto estimado em cerca de R$ 28 bilhões em dez anos.

O texto estava na pauta do Senado para ser analisado na terça (30), no entanto, mesmo reclamando de ataques, Alcolumbre optou por tramitar a proposta de uma maneira mais demorada – alvo visto como uma sinalização positiva do presidente do Senado ao Executivo. Agora, caberá a líder do governo postergar a votação ou costurar acordos.

Fonte CNN BRASIL

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