Expectativa de juros em alta nos Estados Unidos e dúvidas sobre política monetária no Brasil ampliaram incertezas de agentes econômicos. Maior parte dos diretores do Fed sinalizou risco de aumento das taxas no país. Já no Brasil, o Banco Central cortou a taxa básica Selic, mas admitiu piora dos riscos altistas para inflação, reduzindo espaço para novas reduções.
Avaliar se o Copom foi duro ou leniente exige olhar o nível do juro, que está estratosfericamente elevado. Cortar a partir de uma Selic de 14,5% é muito diferente de cortar a partir de 8%. Ainda assim, foi um movimento mais dovish: o Copom cortou, não anunciou interrupção e deixou a porta aberta para mais cortes em agosto. É o oposto do que fez o Fed, que retirou o viés de alívio e sinaliza eventual aperto. Paulo Gala, professor de economia da FGV-SP
No exterior, preço do petróleo recua quase 9% na semana com expectativa de assinatura do acordo de paz. A cotação do contrato do barril para o tipo Brent com entrega em agosto, referência internacional, subia era cotada a US$ 79,90 por volta das 13h, apenas 0,5% acima do fechamento de ontem, mas 8,5% abaixo da cotação da sexta-feira passada, perto da menor cotação desde o fim de fevereiro, quando ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã iniciaram o conflito.
Negociações entre Estados Unidos e Irã previstas para hoje na Suíça foram canceladas. Cancelamento foi anunciado após a Casa Branca dizer que o vice-presidente JD Vanc, desistiu da viagem planejada para a Suíça. Por outro lado, o governo iraniano anunciou hoje que vai manter a passagem de navios pelo Estreito de Hormuz sem cobrança de taxas pelos próximos 60 dias.
O ambiente global segue construtivo no curto prazo, mas com fragilidade estrutural relevante. A combinação de um cessar-fogo ainda condicional no Oriente Médio com um Federal Reserve mais hawkish muda o vetor de preços: o dólar volta a ganhar protagonismo e passa a neutralizar parcialmente o suporte que vinha das commodities. Alvaro Maia, economista na Stonex
Ibovespa oscila ao redor da estabilidade. O índice das ações mais negociadas na Bolsa do Brasil B3 cedia 0,08% às 14h20, a 168.100 pontos. Na semana, índice ainda cede quase 2%, perto do patamar desde janeiro.


