A ação de busca e apreensão desta quinta (18) não faz referência ao imóvel no Victory Tower, mas a um outro imóvel, de R$ 2,450 milhões, que o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, teria repassado a Wagner. O apartamento mencionado na investigação é o nº 1.702 no empreendimento Poème Horto, em Salvador, da construtora Moura Dubeux.
Além do apartamento no empreendimento Poème Horto, foram identificados pagamentos e repasses de R$ 12 milhões à BN Financeira, empresa da nora de Jaques Wagner, e a outras empresas de parentes do senador. A polícia também investiga se ele atuou no exercício do cargo para beneficiar o Master em questões ligadas a regulamentação do crédito consignado, ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e à análise da compra do BRB pelo Master, que acabou barrada pelo Banco Central.
O novo imóvel de Wagner no Mansão Victory Tower, onde ele vive hoje, fica no 14º andar, exatamente acima de seu antigo apartamento. O apartamento n.1302, até então sua principal residência em Salvador, foi comprado em 2011, por R$ 1,45 milhão, conforme consta na matrícula do imóvel e segue como sendo de sua propriedade.
O apartmento 1402 já pertenceu ao publicitário Washington Olivetto, morto em 2024. O nome de Wagner ainda não consta na matrícula do imóvel.
Condomínio Mansão Victory Tower conta com apartamentos de 278 m², sendo uma unidade por andar, com quatro suites, três vagas de garagem e vista para a Baia de Todos os Santos. O condomínio conta com piscinas, spa, cinema e um teleferico privado que dá para um pier exclusivo. O prédio é vizinho ao edifício Eleonor Calmon, onde mora Augusto Lima e também ACM Neto (Antonio Carlos Magalhães Neto), ex-prefeito de Salvador.
Segundo a PF com base em mensagens de celular, Wagner enviou a Lima dados do imóvel no empreendimento Poème Horto e de um corretor. Na sequência, Lima acionou Valério Marega, dono da gestora WNT e que também foi alvo de buscas nesta quinta-feira (18), para que fosse realizada a compra do imóvel. A compra, ainda segundo as investigações, teria sido concretizada pelo advogado Daniel Monteiro, que trabalhava pro Master e já foi preso em outra fase da operação Compliance Zero. Foi Marega foi quem apresentou Lima a Daniel Vorcaro, quando Lima buscava recursos para financiar a operação de consignado do Credcesta, em 2018.


