Fim do trabalho invisível depende da educação das crianças – 02/06/2026 – Equilíbrio

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Tarefas domésticas são trabalhos invisíveis que geralmente recaem sobre as mulheres - Eduardo Knapp/Folhapress

Lavar e estender a roupa, ir ao mercado, cozinhar, varrer, passar pano, tirar pó, cuidar dos filhos, cuidar dos pais… A lista do trabalho invisível que recai principalmente sobre as mulheres não tem fim. Mesmo quando ela contrata alguém —normalmente outra mulher que cuida da própria casa— e não faz a maioria das tarefas, costuma ser dela, em casais heterossexuais, a responsabilidade por coordenar esses afazeres.

A solução para o fim da sobrecarga resultante desse trabalho invisível além do emprego formal e tudo o que isso envolve está longe, diz Monalisa Nascimento dos Santos Barros, professora de psicologia e medicina da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Segundo ela, o caminho para uma mudança passa necessariamente pela educação das crianças, com mães e pais ensinando meninos que o cuidar também é uma tarefa que lhes cabe e dizendo às meninas que esse cuidado não depende só delas.

“No Brasil, é muito comum a mãe convocar a filha para ajudar nas tarefas de casa e isentar o filho”, afirma. “E aí criamos homens deficitários, que não sabem lidar com questões da vida. Isso precisa mudar.”

Como saída mais imediata para o alívio da carga, para os casais heterossexuais ela recomenda a redistribuição das tarefas. “Pode ser difícil ter essa conversa com o parceiro, mas não seja a única a responder pelos afazeres”, aconselha.

Outro ponto importante diz respeito à sobrecarga mental, causada pelo acúmulo de responsabilidade em pensar, planejar, organizar. Trata-se de um trabalho ainda mais invisível, mas muitas vezes mais cansativo do que encarar uma pia cheia de louça suja, uma vez que envolve tomar decisões e assumir riscos.

Muitas vezes, fica decidido que o trabalho de ir ao mercado é do homem, por exemplo, mas ele depende da lista de compras feita pela companheira. “Isso afeta a saúde mental da mulher. A pessoa tem que se responsabilizar pela tarefa inteira.”

Para as mulheres que são mães, a especialista sugere desromantizar a maternidade. Ela cita o psicanalista Donald Winnicott, que propôs o conceito da “mãe suficientemente boa” em contraponto ao da “mãe perfeita”, que não existe.

“Há uma distância enorme entre a mãe que a mulher idealizou que seria e a realidade que ela vive, e isso gera um sofrimento muitas vezes apresentado como culpa”, diz.

Monalisa também defende buscar ajuda médica, caso necessário. “Muitas vezes, ela nem precisa ser medicada. Essa mulher sobrecarregada deve ser tratada por diferentes profissionais, em um quadro que pode incluir, por exemplo, fisioterapia e nutricionista.”

Ponto comum entre especialistas é que as mulheres falem cada vez mais sobre essese diferentes tipos de sobrecarga —física, mental, emocional— para que soluções sejam discutidas pela sociedade e colocadas em prática.

É nisso que também acredita a historiadora e socióloga Rosana Schwartz, coordenadora do programa de pós-graduação em educação, arte e história da cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Mulheres e homens devem se juntar e debater esse problema para que o masculino seja trabalhado e não precisemos mais falar de divisão de tarefas, algo que deveria ser normal.”

FONTE UOL

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