Leapmotor B10 híbrido é mais barato que os rivais e tenta fazer marca decolar no Brasil; vale a pena?

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1 de 3 Leapmotor B10 REEV — Foto: divulgação/Leapmotor

Leapmotor B10 REEV
divulgação/Leapmotor
Com um ano de operação no Brasil, a Leapmotor ainda tenta ganhar espaço no mercado brasileiro, disputado por outras marcas chinesas, como GAC, Omoda&Jaecoo, Geely, GWM e BYD. A versão híbrida do SUV B10 chega ao país por R$ 179.990 e aposta na tecnologia REEV para se diferenciar.
O sistema é um híbrido plug-in “às avessas”, em que o motor a combustão não movimenta as rodas, mas funciona como gerador para recarregar a bateria que alimenta o motor elétrico.
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O B10 utiliza um motor 1.5 aspirado como gerador de eletricidade e tem bateria de 18,8 kWh. Com o tanque cheio e a bateria totalmente carregada por meio do sistema plug-in, o B10 promete autonomia de até 900 km.
O g1 percorreu quase 120 km pelas proximidades de São Paulo (SP) para entender se o modelo tem vantagens suficientes para fazer seu nome.
Agora no g1
Como anda o Leapmotor B10
A tecnologia do Leapmotor B10 híbrido não faz com que o carro se destaque pelo desempenho. Ele segue sendo um SUV focado no conforto, com bom espaço interno e adequado para famílias.
São 4,53 metros de comprimento, 1,88 metro de largura e 2,73 metros de entre-eixos, dimensões típicas de SUVs médios, como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.
É na autonomia de 900 km que está o diferencial, graças à tecnologia REEV. Quando depende da gasolina para gerar eletricidade, o B10 faz 13,5 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada. Mas a eficiência pode chegar a quase o triplo se o proprietário mantiver a bateria carregada na tomada.
Outra curiosidade é que o B10 tem tração traseira, mas, mesmo no modo de condução esportivo, os 218 cv de potência e os 24,5 kgfm de torque pareceram mansos. Não há atraso entre o comando no acelerador e a resposta, mas fica a impressão de que a entrega de força foi calibrada para evitar reações muito ariscas.
A tração traseira tende a exigir mais cuidado em curvas acentuadas e velocidades mais altas, mas, ao volante, o controle de estabilidade se mostrou bastante atuante e reduziu o receio típico desse tipo de tração.
A suspensão continua mais macia do que a de marcas alemãs, como Volkswagen e Audi, mas parece ter passado por ajustes para se adaptar melhor à forma de dirigir do brasileiro. A carroceria balançou bem menos do que no B10 elétrico testado pelo g1.
O resultado é um carro confortável para quem dirige e para os passageiros, com preço abaixo da tabela de seus principais concorrentes híbridos, como o BYD Song Pro (R$ 196.990), Geely EX5 EM-i (R$ 191.490), o Jaecoo 7 (R$ 189.990) e o GWM Haval H6 PHEV19 (R$ 250.000).
Pouca criatividade por fora e por dentro
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O novo B10 híbrido traz pouquíssimas mudanças em relação ao modelo totalmente elétrico, lançado em abril deste ano.
Em resumo, o carro tem:
Linhas discretas e visual minimalista em toda a carroceria;
Grade frontal de dimensões reduzidas;
Maçanetas escamoteáveis, embutidas na carroceria;
Lanternas traseiras interligadas em formato de linha reta.
Há, sim, um ar de modernidade pouco comum em carros ocidentais, mas o modelo também segue uma receita de design amplamente adotada por outras marcas chinesas. Por isso, a fórmula de design do Leapmotor B10, seja na versão elétrica ou REEV, já não transmite criatividade.
Há alguma firulas dignas de nota: o B10 adota uma solução inspirada na Tesla para a chave, usando um cartão com tecnologia de aproximação por NFC.
Cartão que abre as portas e liga o Leapmotor B10
divulgação/Leapmotor
É o cartão que destranca a porta ao ser encostado no retrovisor esquerdo. Também é possível configurar uma chave digital no celular e usar o aparelho no lugar do cartão. Funciona, mas ainda é menos prático do que uma chave física tradicional.
Depois de entrar no carro, o minimalismo exagerado dos chineses continua presente. Não há botões para:
Controle do ar-condicionado;
Abertura e fechamento da cortina do teto solar;
Ajuste dos retrovisores laterais;
Controle dos faróis.
A inspiração na Tesla, que começou com o cartão NFC no lugar da chave, segue no interior. Ela aparece no teto solar sem abertura e chega até o volante. Nele, há duas pequenas rodas ao alcance dos dedos que cumprem múltiplas funções.
São elas que ajustam os retrovisores laterais após a seleção da função correspondente na central multimídia. No uso normal, controlam o volume do sistema de som e a velocidade do piloto automático adaptativo.
Assim como nos Tesla, ativar o piloto automático adaptativo exige baixar duas vezes a alavanca de câmbio. Ela fica atrás do volante. Ainda bem: desta vez, a Leapmotor não levou a inspiração ao extremo e manteve o câmbio fora da central multimídia.
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Se a falta de originalidade é a característica mais marcante do Leapmotor B10, o conforto segue pelo caminho oposto. O carro tem superfícies macias em todos os pontos de contato e o acabamento em couro transmite sensação de material mais refinado.
Há poucas costuras aparentes e, ao menos no carro usado neste teste, as que apareciam tinham a linha exatamente na mesma cor do acabamento. A intenção é que passem despercebidas.
Sentar nos bancos da frente ou da segunda fileira passa a sensação de estar em um sofá que abraça, e não “no banco de um carro”.
Até quem viaja no meio da segunda fileira tem algum conforto. O piso é plano, o banco não é elevado nessa posição e o console central não avança muito para trás. Dá para acomodar os pés sem disputar espaço com os ocupantes das laterais.
O tapete que vem de série é macio, como os de casa, para quem não usa modelos mais felpudos. A falta de criatividade no visual é inversamente proporcional ao conforto oferecido aos ocupantes.
Por fim, o porta-malas poderia ser maior. O bom espaço para as pernas e o conforto dos ocupantes cobraram seu preço na capacidade de bagagem.
São 350 litros. Para comparação, o Jeep Renegade, conhecido pelo porta-malas pequeno, tem apenas 20 litros a menos que o B10. O novo híbrido oferece conforto para viagens longas, mas exige algum planejamento na hora de levar a bagagem.
Leapmotor B10
divulgação/Leapmotor
Leapmotor B10 híbrido: vale a pena?
Este sistema híbrido ainda é exclusivo dos modelos da Leapmotor, mas, na prática, funciona como um plug-in com lógica modificada. , mas a falta de criatividade em vários aspectos pesa negativamente.
Os principais pontos negativos estão na chave em formato de cartão NFC e na escassez de botões físicos. Isso afeta até a segurança, já que o motorista precisa desviar a atenção da via para executar algumas funções pela central multimídia — como fechar a cortina do teto solar.
A concorrência é forte. Três destes modelos aparecem na parte superior da lista dos híbridos mais vendidos do Brasil entre janeiro e agosto de 2026, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE):
BYD Song: 45.096 emplacamentos;
GWM Haval H6: 32.248 emplacamentos;
Omoda 5: 32.248 emplacamentos;
Jaecoo 7: 11.772 emplacamentos;
BYD King: 11.243 emplacamentos.
BYD e GWM ganham pontos pelo visual mais original, além de já fabricarem no Brasil e contarem com motor flex. O Leapmotor B10, porém, não será importado para sempre, já que terá produção em Goiana (PE).
O Jaecoo 7 tem visual mais jipão, mas, na prática, é um SUV maior e equipado como se espera de um utilitário urbano enfeitado para uma festa na trilha.
No final das contas o preço menor que os concorrentes, o conforto, o isolamento acústico eficiente e o visual moderno pesam mais a favor do que os pontos negativos pesam contra. Porém, para quem prefere um carro com proposta mais tradicional, o BYD Song Pro não tenta reinventar conceitos, adotando uma abordagem mais simples e direta.

FONTE UOL

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