Mercado projeta desaceleração do IPCA em julho e deflação em agosto

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Ônus se deve, sobretudo, à previsão de cortes de geração de energia provocados pela sobreoferta de parques eólicos e placas solares Imagem: Nando Vidal/Getty Images/iStockphoto

Descontos nas tarifas têm potencial para provocar deflação. Os analistas do mercado financeiro projetam que o bônus resultará em um IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) negativo em 0,17%. Se confirmado, o resultado vai representar a maior deflação do Brasil desde setembro de 2022 (-0,29%) e a primeira desde agosto do ano passado (-0,11%). Foi há um ano que ocorreu a última distribuição da Reserva Técnica Financeira de Itaipu.

Abatimento tem relação com repasse de R$ 872,1 milhões de Itaipu. O valor aprovado pela Aneel equivale a uma distribuição do saldo positivo da hidrelétrica, que considera R$ 0,00747181/kWh. O bônus deve ser aplicado pelas concessionárias e permissionárias de distribuição de energia elétrica conectadas ao SIN (Sistema Interligado Nacional).

Repasse ameniza o custo adicional da bandeira amarela. A cobrança extra estabelecida pela Aneel eleva o valor das contas de luz em R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A reguladora afirma que a escassez hídrica exigiu o acionamento das usinas termelétricas, que geram energia com um custo maior do que o das hidrelétricas.

IPCA deve voltar a ganhar força em setembro. Após desaceleração em julho e variação negativa em agosto, a inflação devem voltar a subir em setembro, projetam analistas, que estimam avanço 0,5% dos preços no próximo mês, com a recomposição do benefício distribuído. A variação positiva resultará na primeira aceleração do índice oficial de preços desde março, quando a inflação passou de 0,7% para 0,88%.

Dado que [o bônus de Itaipu] é um desconto temporário, o IPCA de setembro reflete o fim dos abatimentos.
Julio Barros, economista do Daycoval

Mercado financeiro prevê inflação acumulada de 5,02% neste ano. Na pesquisa semanal Boletim Focus, realizada pelo Banco Central com uma centena de agentes do setor financeiro, a mediana das estimativas apuradas semana passada corresponde à menor expectativa para o índice oficial de preços desde maio para o IPCA acumulado nos 12 meses finalizados em dezembro. Há quatro semanas, a projeção sinalizava alta de 5,16% do índice oficial de preços.

FONTE UOL

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