Operação mira esquema com advogados e fraude de R$ 3,8 bi em ICMS

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Uma operação busca desarticular um esquema de comercialização fraudulenta de créditos de ICMS utilizados por empresas para reduzir indevidamente o imposto devido ao Estado de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (15). A Operação Distrato é coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-SP) e cumpre 38 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo e do Paraná.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) confirmou à CNN que um dos núcleos centrais da investigação está ligado ao grupo econômico de Wilians. O escritório do advogado é alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos durante a operação. Em Londrina, no Paraná, outro alvo é a advogada Mayra de Paula, apontada pela investigação como “sócia” de Wilians nas supostas fraudes.

Segundo as investigações, escritórios de advocacia e consultorias ofereciam a empresas paulistas créditos tributários com desconto, apresentando-os como parte de supostos planejamentos tributários e alegando, de forma fraudulenta, que haviam sido autorizados pelo Fisco.

Na prática, as empresas deixavam de recolher integralmente o ICMS e pagavam aos intermediários honorários de êxito que chegavam a 70% do valor dos créditos utilizados, desviando recursos que deveriam ser destinados aos cofres públicos.

 

De acordo com a Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP), os créditos comercializados não possuíam autorização administrativa e estavam vinculados a empresas inaptas, massas falidas ou operações sem lastro econômico. Para dar aparência de legalidade ao esquema, os investigados teriam utilizado contratos, procurações, apólices e até documentos falsos atribuídos à própria administração tributária.

Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital e são cumpridos nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina/PR e Cambé/PR.

Participam da operação integrantes do Ministério Público de São Paulo (MPSP), da Secretaria da Fazenda e Planejamento, da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SP), além das polícias Civil e Militar. O objetivo é reunir novas provas, identificar os beneficiários econômicos do esquema e responsabilizar os envolvidos nas esferas administrativa, cível e penal.

Fraude supera R$ 3,8 bilhões

Segundo a Sefaz-SP, auditorias fiscais já resultaram na lavratura de autos de infração contra 752 empresas que teriam utilizado os créditos irregulares. O valor sonegado supera R$ 3,8 bilhões.

Além da perda de arrecadação, o governo afirma que a fraude gerava concorrência desleal ao permitir que empresas reduzissem artificialmente seus custos tributários, obtendo vantagem competitiva sobre contribuintes que cumprem regularmente suas obrigações fiscais.

As investigações continuam, e novas medidas poderão ser adotadas conforme a análise do material apreendido, respeitando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa dos investigados.

Fonte CNN BRASIL

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