Morre Wally Funk, que voou ao espaço aos 82 anos – 09/07/2026 – Ciência

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Wally Funk segura uma foto de si mesma no Museu Internacional de Aviação e Espaço Feminino em Cleveland, Ohio, EUA - Elizabeth Culliford - 29.mar.19/Reuters

Wally Funk, que estava entre as pilotos mais talentosas de sua época e se tornou uma das pessoas mais velha a voar ao espaço, morreu nesta quarta-feira (8) em sua casa em Grapevine, Texas, Estados Unidos. Ela tinha 87 anos.

Sua morte foi confirmada por Mona Quintanilla, porta-voz da cidade de Grapevine.

“A aviação foi toda a minha vida”, escreveu Funk em suas memórias de 2020. “Eu a como e a respiro.”

No início da década de 1960, ela fazia parte de um grupo de 25 mulheres, posteriormente reduzido para 13, que foram submetidas a testes rigorosos para determinar como as mulheres se sairiam no espaço. Funk foi a única aviadora do grupo —que ficou conhecido como Mercury 13— a passar em todos os testes.

Mas sete homens, conhecidos como Mercury Seven e testados separadamente, foram selecionados pela Nasa para serem seus primeiros astronautas, porque a agência não estava preparada para arriscar enviar mulheres ao espaço. O Mercury Seven incluía Alan Shepard Jr., o primeiro americano no espaço ao completar um voo suborbital em maio de 1961, e John Glenn, o primeiro americano a orbitar a Terra.

Funk fez várias tentativas malsucedidas de ser aceita pela Nasa, que não admitiu mulheres até 1978, quando ela tinha 39 anos. A primeira mulher americana no espaço foi Sally Ride, passageira em um voo de ônibus espacial em 1983. A primeira mulher no espaço foi Valentina Tereshkova, uma russa que realizou uma missão solo em 1963.

Mas Funk continuou a voar, deu aulas particulares de aviação e supervisionou inúmeras investigações de acidentes aéreos, inicialmente como a primeira inspetora mulher da Administração Federal de Aviação (FAA) e, posteriormente, do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes.

Foi dona de uma escola de aviação em Taos, Novo México, pilotou um avião bimotor de passageiros para a Sierra Pacific Airlines, com sede em Tucson, Arizona, e competiu nas corridas aéreas transcontinentais femininas conhecidas como Powder Puff Derby. Em suas memórias, “Higher Faster Longer”, escritas com Loretta Hall, Funk disse ter acumulado mais de 19 mil horas de voo.

Em 1995, foi incluída no Hall da Fama das Pioneiras da Women in Aviation International e, em 2017, seu nome foi inscrito no Muro de Honra do Museu Nacional do Ar e do Espaço, em Washington.

Sem nunca voar pela Nasa, ela estabeleceu seu recorde de idade em viagens espaciais em julho de 2021, quando participou de uma viagem que durou 10 minutos e 19 segundos, a bordo do New Shepard, foguete construído pela Blue Origin, de Jeff Bezos. O bilionário era passageiro do voo, junto com seu irmão, Mark, e um estudante adolescente de física.

O foguete subiu acima do limite de 100 quilômetros, geralmente considerado como o início do espaço antes de retornar à Terra.

“Subimos direto, e eu vi a escuridão”, disse Funk em uma entrevista posteriormente. “Eu ia ver o mundo, mas não estávamos em uma altitude suficiente. Adorei cada minuto. Só queria que tivesse durado mais.”

Naquele outubro, William Shatner, famoso por “Star Trek”, então com 90 anos, estabeleceu um recorde como a pessoa mais velha a voar no espaço. Em 2024, Ed Dwight, que também tinha 90 anos, mas era alguns meses mais velho do que Shatner na época, tornou-se o atual detentor do recorde.

Mary Wallace Funk (ela preferia Wally) nasceu em Las Vegas em 1º de fevereiro de 1939, filha de Losier e Virginia Shy Funk. Cresceu em Taos, onde seu pai abriu uma loja que vendia produtos a preços modestos.

“Minha primeira experiência com voo, voo de verdade, foi quando pulei do celeiro do meu pai usando minha capa do Super-Homem, quando eu tinha cerca de 5 anos”, relembrou em uma entrevista como parte de um projeto da Nasa em 1999.

Ela caiu em uma pilha de feno, mas seu fascínio por voar não diminuiu. “Eu tinha permissão para fazer aviões com blocos de madeira balsa e pendurá-los no meu teto.”

“Fui criada pelos indígenas e eles me ensinaram a pescar, caçar e acampar desde muito cedo, e a sobreviver na natureza selvagem. Então, eu tinha tudo isso a meu favor, enquanto um jovem hoje está em uma cidade, em um apartamento, e isso é tudo o que ele conhece. Eles não conhecem o oceano, o esqui, a neve e o ar como pude conhecer.”

Funk obteve sua licença de piloto enquanto estudava no Stephens College em Columbia, Missouri, uma faculdade feminina de dois anos. Depois, matriculou-se na Universidade Estadual de Oklahoma, que tinha uma escola de aviação de destaque.

Ela já tinha habilitação para pilotar planador e hidroavião aos 19 anos. Mais tarde, relembrou que “nunca houve olhares ou sobrancelhas levantadas perguntando ‘O que essa garota está fazendo?'”.

Após se formar na Universidade Estadual de Oklahoma, tornou-se instrutora de voo na base do Exército de Fort Sill, Oklahoma, antes de iniciar sua longa jornada rumo ao voo espacial.

Funk, que nunca se casou, não deixa parentes próximos.

Antes do voo de Funk na Blue Origin em 2021, Tanya Harrison, cientista planetária e diretora de estratégia científica da Planet Labs, disse ao jornal The New York Times: “Vê-la finalmente ir ao espaço décadas depois de provar que ela não era apenas capaz, mas talvez mais capaz do que os homens contra quem ela estava competindo durante o programa Mercury é algo incrível”.

Quando o voo terminou, Funk disse que tinha um desejo: “Quero ir de novo, logo”.

FONTE UOL

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