O presidente do BC reconheceu que as queixas dos agentes financeiros são comuns. “Os economistas e participantes do mercado estão no direito de querer e pedir esse tipo de informação, mas o Banco Central se reserva o direito de não dar essa informação quando achar que não lhe interessa. Não por estar escondendo, mas porque a decisão vai ser tomada em 40 dias”, ressaltou Galípolo.
Ele avaliou serem “normais” as solicitações por sinalizações dos próximos passos do BC. Ainda assim, Galípolo afirmou que a conjuntura econômica atual impede a manifestação devido à imprevisibilidade presente. “É normal esse tipo de pedido, mas nenhum Banco Central do mundo está fazendo isso nem a literatura recomenda, devido ao ambiente de incerteza”, explicou Galípolo.
A ata que motivou as críticas não sinalizou a manutenção do ciclo de cortes da taxa Selic. O documento para explicar o corte de 0,25 ponto percentual da taxa Selic, para 14,25% ao ano, menciona que o “forte aumento da incerteza” exige “serenidade e cautela” nos próximos passos de condução da política monetária. Para isso, a autoridade monetária avalia a necessidade de observar a evolução das expectativas de inflação antes das definições sobre a Selic.
“A função do Banco Central não é produzir consenso entre as opiniões do mercado”, diz Galípolo. O presidente do Banco Central afirmou que o correto nas decisões é “dividir as opiniões” para não ficar “em uma posição mais difícil na condução da política monetária.”
Diretor de política econômica do BC, Paulo Picchetti, destacou a manutenção do “ciclo de calibração” dos juros. Em linha com a fala de Galípolo, ele disse que as “explicações exatas” sobre a condução futura da política monetária consideram as mudanças constantes de expectativa e projeções. “A gente não vê valores positivos em se comprometer explicitamente neste momento”, afirmou.
Picchetti descartou a hipótese de que o Copom tenha “alongado” o horizonte relevante para a meta de inflação. O diretor mencionou que a alteração do olhar para a condução da política monetária para o primeiro trimestre de 2028 envolve os “choques de oferta” ocasionados pelas mudanças geopolíticas com a guerra no Oriente Médio e fenômenos climáticos esperados.


