O euro digital funcionará como uma versão eletrônica da moeda comum europeia, com o mesmo valor das notas e moedas em circulação. Diferentemente das criptomoedas, o sistema será totalmente garantido pelo BCE. Os usuários poderão abrir uma carteira digital por meio de bancos ou instituições autorizadas, transferindo recursos de contas bancárias convencionais ou realizando depósitos em dinheiro. Os pagamentos poderão ser feitos em lojas físicas, pela internet ou entre pessoas, utilizando cartões, aplicativos bancários ou smartphones.
Segundo a proposta em discussão, o novo sistema não substituirá o dinheiro em espécie nem os meios de pagamento já existentes, mas oferecerá uma alternativa adicional aos consumidores. O BCE argumenta que a medida ampliará a soberania financeira da zona do euro ao criar uma infraestrutura de pagamentos genuinamente europeia.
Dependência representa vulnerabilidade estratégica
Atualmente, cerca de dois terços das transações realizadas com cartões na zona do euro são processadas por empresas de fora do continente. Além disso, 13 dos 21 países que utilizam a moeda única não possuem sistemas nacionais próprios para pagamentos eletrônicos cotidianos. Para os defensores do projeto, essa dependência representa uma vulnerabilidade estratégica.
A discussão ganhou força após episódios recentes envolvendo sanções impostas pelos Estados Unidos contra autoridades estrangeiras. Um dos casos mais citados na Europa foi o de magistrados do Tribunal Penal Internacional que tiveram restrições de acesso a serviços financeiros vinculados a empresas norte-americanas, alimentando preocupações sobre a autonomia dos sistemas de pagamento europeus.
O BCE também promete elevados padrões de privacidade. De acordo com o projeto, as transações não permitirão a identificação direta dos usuários e haverá até mesmo um modo offline com nível de confidencialidade semelhante ao do dinheiro em espécie. A instituição trabalha ainda no desenvolvimento de funcionalidades adicionais para o comércio eletrônico, como pagamentos condicionados à entrega de produtos ou parcelamentos automatizados.


