Antes do anúncio, Salto explicou que o movimento dos juros nos EUA pode dificultar cortes mais fortes no Brasil, porque o país precisa manter um diferencial de taxas para atrair capital e ajudar a segurar a inflação.
O juro americano voltando a subir, para que a gente consiga manter aqui uma política monetária e cambial que ajudem no controle da inflação, nós vamos ter maiores dificuldades para voltar a reduzir a Selic com mais força, porque é preciso manter um certo diferencial de juros que acaba ajudando a atrair capitais.
Felipe Salto
Salto também traduziu o impacto dos juros no dia a dia. Segundo ele, a Selic influencia o custo do crédito para famílias e empresas e, do lado do governo, encarece a dívida pública, com efeito direto nas contas.
Quando você aumenta um ponto percentual a Selic, isso representa pelo menos R$ 60 bilhões em termos anualizados em despesas públicas adicionais, quer dizer, mais ou menos quase um terço do programa Bolsa Família numa tacada só. Ela influencia o crescimento, influencia o emprego, a renda e influencia também a dinâmica das contas públicas.
Felipe Salto
Salto avaliou que o corte desta reunião pode marcar o fim do ciclo de redução. Para ele, a Selic deve ficar alta por mais tempo, com expectativas de inflação acima de 5% e um cenário ainda carregado de incertezas.
Essa deve ter sido a última redução de juros desse ciclo de redução e, portanto, a gente vai ter uma taxa de juros alta por um longo período, muito provavelmente, dado que a gente está com as expectativas de inflação acima de 5%, e as eleições, que também colocam elementos de incerteza nesse caldeirão. A decisão de hoje não significa que o Banco Central vai continuar reduzindo juros, ao contrário.
Felipe Salto


