“Seu Afonso, meu nome é Paulo, sou o presidente do McDonald’s, a empresa em que seu filho trabalha. Estou ligando para dizer que estamos muito felizes com ele aqui. Ele tem um baita potencial e vai muito longe. Estou ligando para dizer que valeu a pena. Valeu a pena a educação que o senhor deu para seu filho.”
Éramos três no corredor e um no celular. Maurício, eu, o João Branco que estava ali esperando, e o Seu Afonso, do outro lado da tela, lá no Sul.
Uma semana depois, o João me procurou.
“Paulo, a gente já trabalha junto há nove anos. Mas meu pai morreu há dez anos”.
Eu fiquei em silêncio. Porque eu teria muitas coisas boas para falar para o Seu João Sênior sobre o João Júnior. Mas esse não dá mais tempo…
O Maurício seria promovido de qualquer forma. Sendo gay ou não. Nada naquela decisão estava em dúvida. O que estava em dúvida era outra coisa.


