O economista afirmou que o debate público, na avaliação dele, não tem dado centralidade ao tema das contas públicas nem ao controle da inflação, pontos que influenciam o espaço do Banco Central para reduzir juros.
Senna disse que enxerga um “deserto de estadistas” no país e que não vê políticos se manifestando com preocupação sobre a trajetória da dívida e dos preços.
Nós estamos vivendo, eu acho, uma época que podemos classificar talvez de um deserto de estadistas no Brasil. Eu não vejo político algum mostrar preocupação com o fato de que, durante os últimos quatro anos, dessa administração federal, a relação dívida pública/PIB, ao término do ano corrente, talvez algo perto de 9, 10 pontos de porcentagem.
José Júlio Senna
Ele também disse que a possibilidade de inflação acima da meta já preocupa “quem presta atenção nesses números” e questionou quem, no sistema político e institucional, toma decisões levando esse impacto em conta.
A inflação acima da meta já preocupando bastante quem presta atenção nesses números. Quem é que se manifesta preocupado com isso? Quem é que toma suas decisões em Brasília preocupado com o impacto que suas decisões têm sobre o comportamento da dívida pública e sobre o comportamento da inflação? Ninguém, nem no Judiciário, lugar algum.
José Júlio Senna
Na leitura de Senna, decisões em Brasília têm sido guiadas por objetivos e conveniências de curto prazo, o que, segundo ele, piora a perspectiva para 2027 e reduz a chance de um cenário mais favorável para juros.


