“Paulo, faça aquilo que você fez no Brasil. Melhore a venda, melhore o resultado. Mas mais do que isso: eu preciso que você integre as diferentes Espanhas.”
Demorei um tempo para entender o que ele queria dizer. Mas logo percebi. Cada filial, em cada cidade, tinha um jeito próprio. Não parecia a mesma empresa. E a operação espanhola liderava, de ponta-cabeça, o ranking mundial de clima organizacional da companhia. Era uma das piores do mundo.
Eu tinha acabado de chegar a um país que não era o meu, num idioma que ainda estava aprendendo, com uma equipe que não me conhecia e não tinha motivo nenhum para confiar em mim. Você chega cheio de planos e encontra olhares que dizem: “mais um que vai tentar mudar tudo e ir embora em dois anos.”
Decidimos fazer algo simples. Começamos a organizar encontros nos fins de semana para reunir os colaboradores. Eu viajava com Fanny Delgado, nossa diretora de RH (Recursos Humanos), para cada unidade. Chegávamos na quinta, ficávamos sexta e sábado. No sábado, fazíamos uma reunião com todos.
Um dia, pedi a Fanny que convidasse os familiares para a reunião.
Ela me olhou preocupada. “Você está preparado para o orçamento? Há muitas pessoas aqui que não são espanholas. A família mora fora do país.”


